Archive

Archive for novembro \16\UTC 2009

Ray Charles – Hallelujah I Love Her So (1955)

Acho que já ouvi essa música hoje umas vinte vezes…

Let me tell you ‘bout a girl I know
She is my baby and she lives next door
Every mornin’ ‘fore the sun comes up
She brings me coffee in my favorite cup
That’s why I know, yes, I know
Hallelujah, I just love her so

When I’m in trouble and I have no friend
I know she’ll go with me until the end
Everybody asks me how I know
I smile at them and say, “She told me so”
That’s why I know, oh, I know
Hallelujah, I just love her so

Now, if I call her on the telephone
And tell her that I’m all alone
By the time I count from one to four
I hear her [KNOCK-KNOCK-KNOCK-KNOCK] on my door

In the evening when the sun goes down
When there is nobody else around
She kisses me and she holds me tight
And tells me, “Daddy, everything’s all right”
That’s why I know, yes, I know
Hallelujah, I just love her so

Now, if I call her on the telephone
And tell her that I’m all alone
By the time I count from one to four
I hear her [KNOCK-KNOCK-KNOCK-KNOCK] on my door

In the evening when the sun goes down
When there is nobody else around
She kisses me and she holds me tight
And tells me, “Daddy, everything’s all right”
That’s why I know, yes, I know
Hallelujah, I just love her so
Oh, hallelujah
Don’t you know, I just love her so
She’s my little woman, waitin’ all this time
Babe, I’m a little fool for you, little girl…
(FADE OUT)

Categorias:Músicos, Ray Charles Tags:, ,

A importância da desimportância

I Love Realism

“Um homem carrega seus livros”. A frase ressoa na minha cabeça como se a ouvisse pela primeira vez. Estranhamente o autor da frase não se lembra dela. Tinha eu onze, talvez doze anos. Lembro que me causou fortíssima impressão. Somente anos depois pude notar que foi ali que começou minha atração quase maníaca pela estética das frases.

E só foi bem depois disso que me convenci que a beleza por si só já era mais do que um meio ou um motivo, mas um fim em si,  só então é que pude me desculpar por mais essa futilidade confessa. E ainda que alguém discorde, se pensarmos que em nossas vidas tudo de importante volta e meia vem empacotado com um bolo de futilidades… eu hoje não perderia tempo tentando me justificar.

Mas volto a frase. Estou na sala da casa dos meus pais, meu pai curvado na estante recolhe seus últimos livros antes de sair de casa. Eu pergunto o que ele está fazendo, a frase ressoa, e meu interesse por livros torna-se instantâneo. Dramaticamente instantâneo, para o bem ou para o mal.

À partir daquele momento surgia uma nova necessidade, se a frase não fosse dita, eu talvez colecionasse selos ou moedas ao invés de livros. Ninguém acredita em destino a não ser quando um pedaço de reboco despenca do alto de um prédio pra nossa cabeça. A tragédia é inerente a condição humana, e perceber as coisas como inevitáveis ajuda a confortar o inesperado. Hoje acho que aquele momento foi determinante e inevitável, influenciou minha personalidade para o resto da vida. E não é fácil admitir o acaso, mesmo que o bom senso nos implore a entender que foi uma mera casualidade.

Digo isso pra me fazer entender, não é de hoje que me chamam de velho. Todas as minhas namoradas repetiram isso em algum momento e meus amigos mais próximos não escondem o espanto e não cansam de lembrar minha vergonhosa velhice precoce. Como alguém prefere Coltrane à sei lá o que esteja na moda? Nem eu mesmo consigo entender. Nenhum amigo meu ouvia Coltrane, Miles ou Charlie Parker, nem sabiam que eles existiam. E o motivo não é fútil, não havia quem os conhecesse por perto. Grande parte das coisas diferentes que conheci veio pelos livros. Eu nunca correria pra uma loja de disco a quilômetros de distância da minha casa se não tivesse lido um romancezinho besta (que infelizmente não lembro o nome) contando as histórias de um saxofonista americano exilado em Paris; sem isso eu nunca me perguntaria que tipo de música era aquela, e sem conhecer, nunca saberia se iria gostar ou não.

Dia desses eu folheava um livro do Hesse, me veio a pergunta: como seria minha vida se eu nunca tivesse lido Demian, ou ainda o Lobo da Estepe. o Lobo é o maior culpado da minha vergonhosa senilidade, depois que li a primeira vez devo ter envelhecido uns dez anos tentando superar os questionamentos que o livro causou. É certo que não devemos nos cobrar tanto ou tentar avançar além das nossas pernas, poucas coisas aliás, são mais inconvenientes que uma criança ou um jovem de bom senso. Hoje admito isso de bom grado, e não escondo o desejo de diminuir sucessivamente o pouco bom senso que acumulei ou fingi ter acumulado até o mínimo possível. Pretendo aos 40 já ter atingido o mesmo nível de um bêbe, quem sabe?!

Não tenho como evitar, mas estou convencido que a glória do dia-a-dia está reservada ao idiota da objetividade, ao Medalhão do Machado, ao Conselheiro Acácio do Eça. E se não fossem essas figuras eu talvez fosse o canalha fundamental que o Nelson Rodrigues tanto condenava. Não fosse Oscar Wilde e seu Dorian Gray, eu talvez desse mais importância ao meu trabalho. Não fosse o Hesse, eu talvez me desesperasse sem saber que existe uma certa unidade que eu posso buscar.

Hoje, quem não me conhece tão bem, até pode pensar que a maior importância da minha vida sejam os meus livros e os meus discos, e por isso eu sou um velho — ou pior um jovem travestido de velho. Mas eu particularmente não penso, nem tento pensar nisso. Não faz muito  tempo que passei a reconhecer que a maior importância na vida de alguém é buscar ou criar alguma coisa bela. Ainda que não tenha sentido ou utilidade. Ainda que não consiga.

Pra mim, os livros são só uma maneira de continuar buscando essas coisas enquanto eu estou sozinho em casa. Nunca os permito serem substitutos da realidade, são desimportantes, e por isso mesmo essenciais.

Categorias:Meus Textos Tags:,

CANdYRAT Records

Um selo pra lá de foda que descobri por acaso pela internet. Os caras tem uma seleção incrível de músicos, tentei achar um cara ruim em todo o site e não consegui, todos são bons e a maioria excelente. Alguns dos meus novos favoritos aí embaixo:

Tony Rice – Shenandoah (Bluegrass Journey)

Um dos maiores mestres em Flatpicking guitar, tocando uma versão de fazer muito marmanjo chorar da tradicional Shenandoah: