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Archive for junho \24\UTC 2008

Scribd: Um YouTube de livros!

Dica para um site bem legal que encontrei dia desses. O Scribd é uma comunidade de compartilhamento de documentos e uma espécie de rede social. Lá você pode fazer uploads de documentos que você queira dividir ou simplesmente baixar vários livros de graça 😉

Seguem algumas coisas interessantes que achei por lá:

Hermann Hesse – Demian
Hermann Hesse –
Siddhartha
Hermann Hesse – O Lobo da Estepe
Rubem Braga –
200 crônicas escolhidas
Ortega Y Gasset – A Rebelião das Massas
Steven Pinker – How The Mind Works

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Figurinhas repetidas

Nelson Rodrigues repetia com frequência alguns assuntos. Bem como a flor de obsessão que o próprio se considerava, Nelson fez dessas constantes uma das peças fundamentais para suas crônicas. E seria de se admirar que após quarenta anos algumas dessas confissões ainda parecessem tão controversas ou reacionárias, mas ao meu ver, elas aos poucos vem se mostrando cada vez mais atuais. Na minha humilde opinião, o motivo para tal — além é claro das enormes qualidades do autor — é que Nelson antes de tudo descrevia pessoas reais como se fossem personagens de ficção. Quando repetia obsessivamente suas opiniões sobre o Alceu, Dom Élder, ou mesmo sobre alguns amigos próximos como Hélio Peregrino e Antônio Calado, ele o fazia sem piedade, pois eram personagens. Alguns dos seus textos beiravam ou ultrapassavam a crueldade, tamanha sinceridade e frieza com a qual ele desmontava em detalhes quase imperceptíveis esses personagens.

E essa para mim é a maior qualidade do Nelson cronista, a sinceridade a qualquer preço. Não digo que isso não gere lá os seus problemas, ao próprio custou anos da amizade com Antônio Calado. Mas porque e pra que eu repito isso aqui? Respondo parafraseando o próprio: Por que volta e meia ainda me surpreendo em ver como é antigo o passado recente. Ao ponto que alguns fatos e personagens de quarenta anos atrás, às vezes parecem ter 40 mil anos de idade. E quanto mais antigas essas diferenças vão se tornando, mais similares os fatos e os personagens começam a se parecer, indiferentes à distância absurda imposta pelo tempo.

Há quem hoje reconheça que Nelson Rodrigues era um gênio. Sim, existem muitos, e eu me incluo nesta lista. Alguns nem o leram, é verdade, e de certa forma até pode-se pensar que contrariam o que o próprio talvez esperasse, pois a admiração pelo autor se tornou mais uma daquelas unanimidades quase incontestáveis. No entanto alguns autores atuais que seguem linhas de pensamento muito parecidas às de Nelson Rodrigues, ainda hoje são vistos e julgados da mesma forma que ele foi julgado à 40 anos. Nesse ponto quero crer que o próprio Nelson, pelo menos se alegraria em poder usar a singela frase de como é antigo o passado recente, pois em nenhum caso a frase parece poder se aplicar melhor.

Algumas idéias e argumentos fundamentais das crônicas de Nelson, podem hoje passar desapercebidos por nós. Ficam escondidos no humor de suas crônicas, no ridículo das suas personagens ou mesmo na intimidade das suas confissões. Mesmo assim me atrevo a refletir sobre alguns pontos para esclarecer um argumento. Nelson cantou a pedra à 40 anos atrás: trocar uma idiotice de direita por uma idiotice de esquerda não resolveria nada. Ele também nos dizia que a denúncia da monstruosidade — mesmo que algumas vezes nos causasse horror — não tinha culpa da monstruosidade em si. Que nem mesmo a razão e o direito justificavam a barbárie. Isso tudo até parece óbvio, se não pensarmos em alguns fatos bem atuais como a menina presa no Pará em uma cela masculina e a ordem posterior da governadora Ana Júlia para demolir a mesma delegacia onde ela foi estuprada inúmeras vezes. Ou ainda, o pré-julgamento brutal dos Nardoni, para não ir muito longe. Por conta de uma conversa recente tive com um outro blogueiro, cito novamente o já tantas vezes mencionado Tropa de Elite. Neste caso especialmente pode-se notar uma grande estranheza. O filme mostra uma realidade violenta, a tortura policial, as condições horríveis em que estes trabalham. Fatos horríveis, mas reais e conhecidos. Talvez o diretor esperasse provocar com isso algum debate, algum protesto, não sei dizer ao certo. No entanto o que se nota até o momento, mesmo tantos meses depois do filme estrear é que ainda não se critica a realidade dos fatos. Se critica a ficção, pois esta mostra a violência, denuncia a monstruosidade. Decidem por isso chamar o diretor de fascista, e acusam quem venha a defender o filme de ser igualmente fascista.

Em 68, Nelson Rodrigues escrevera uma crônica sobre a violência, chamava-se “A Fotografia do Ódio“. Neste texto, ele contava alguns casos trágicos, como o de um taxista preso por não carregar nenhum documento de identidade. Nos tempos da ditadura isso era punido com cadeia, e como eu já disse o taxista foi preso. Na cadeia foi estuprado por seis ou sete marginais enquanto implorava pela ajuda dos policiais que decidiram ignorar. Saindo da cadeia o homem entrou em casa, se trancou no quarto e se matou com um tiro no ouvido. No final do texto, Nelson fazia um paralelo deste fato sombrio com uma peça teatral de Plínio Marcos, chamada Barrela. Nesta peça, um jovem comum era preso em uma briga de bar e colocado dentro de uma cela com outros marginais e o seu estupro era encenado no palco. Interditou-se a peça. Neste ponto o cronista pergunta: — que faremos nós? Obscena é a denúncia e não a monstruosidade? A moral está salva, porque se emudeceu uma peça?

Não creio que nossos tempos estejam mais duros do que os das confissões, os anos 60 foram muito piores que os dias de hoje. Exceto em um ponto fundamental. Nos tornamos muito mais abjetos do que antes. Hoje, os idiotas da objetividade foram muito além do copy desk do Jornal do Brasil, parecem finalmente ter alcançado todos os lugares possíveis. A aluna de psicologia da PUC, parece finalmente ter se acertado nas mais diversas carreiras, e até o padre de passeata ganhou novas versões nos cultos evangélicos. Nelson Rodrigues nunca foi tão atual, entendê-lo nunca foi tão necessário.

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TED: A incrível inteligência dos corvos (Joshua Klein)

Um dos videos mais interessantes que eu já vi nos últimos tempos. Para quem não conhece a fonte, o TED (Technology, Entertainment e Design), trata-se de um fórum internacional onde idéias inovadoras ligadas a tecnologia, entretenimento e design são demonstradas e discutidas.

Infelizmente a palestra está toda em inglês, mas vale a pena pra quem tiver um tempo extra e conseguir se virar no idioma original.

No video, Joshua Klein demonstra como é possível estimular a “evolução” de alguns animais, de modo que estes possam executar tarefas que normalmente julgaríamos impossíveis ou muito pouco prováveis.

O video é ainda mais interessante se pensarmos como ele demonstra que modelos colaborativos podem extender resultados para além da espécie humana.

O assunto não é lá tão novo, a National Geografic publicou recentemente uma reportagem onde um grupo de chimpanzés aprendeu sozinho a utilizar ferramentas na caça de outros animais. Já existiam também outros registros bem mais antigos sobre esse tipo de evolução no comportamento de animais.

No entanto a demonstração com os corvos serve para mostrar como o ser humano pode interferir na “educação” dos animais com fins práticos e de benefícios mútuos, ao invés de simplesmente ensiná-los a pular, rolar e ir buscar gravetos 😉

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Morre Bo Diddley, o homem da guitarra quadrada…

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