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	<title>Comentários para O Conselheiro Acácio</title>
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	<description>Hipérboles hiperboreanas e prolixas pra acalentar bovinos</description>
	<pubDate>Thu, 24 Jul 2008 02:04:10 +0000</pubDate>
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		<title>Comentado sobre Figurinhas repetidas por Conselheiro Acácio</title>
		<link>http://conselheiroacacio.wordpress.com/2008/06/10/figurinhas-repetidas/#comment-58</link>
		<dc:creator>Conselheiro Acácio</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Jul 2008 14:20:16 +0000</pubDate>
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		<description>Obrigado pelo elogio Frank, apareça mais vezes ;-)

Abraços!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigado pelo elogio Frank, apareça mais vezes <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';-)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Abraços!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentado sobre Figurinhas repetidas por Frank</title>
		<link>http://conselheiroacacio.wordpress.com/2008/06/10/figurinhas-repetidas/#comment-57</link>
		<dc:creator>Frank</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Jul 2008 15:35:10 +0000</pubDate>
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		<description>Que maravilha de Post . Parabems pelo trabalho e pela escolha deste topic, me alegro muito por trabalhos como este, e sabe que algum ainda se intereca pelos valiosos Coselhos, que as vezes sao um aviso vindo De Deus pai!!!! Obrigado pela Dedicacao!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Que maravilha de Post . Parabems pelo trabalho e pela escolha deste topic, me alegro muito por trabalhos como este, e sabe que algum ainda se intereca pelos valiosos Coselhos, que as vezes sao um aviso vindo De Deus pai!!!! Obrigado pela Dedicacao!</p>
]]></content:encoded>
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	<item>
		<title>Comentado sobre Scribd: Um YouTube de livros! por Nat</title>
		<link>http://conselheiroacacio.wordpress.com/2008/06/24/scribd-um-youtube-de-livros/#comment-56</link>
		<dc:creator>Nat</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Jun 2008 01:10:02 +0000</pubDate>
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		<description>Adorei a dica, e a nova cara. Vou repassá-la.

bjs
p.s.: Não tenho comentado muito, mas não ache que não apareço por aqui. Leio tudo, como sempre. 

bjs, de novo.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Adorei a dica, e a nova cara. Vou repassá-la.</p>
<p>bjs<br />
p.s.: Não tenho comentado muito, mas não ache que não apareço por aqui. Leio tudo, como sempre. </p>
<p>bjs, de novo.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentado sobre As últimas 8 coisas antes de morrer por Conselheiro Acácio</title>
		<link>http://conselheiroacacio.wordpress.com/2008/04/23/as-ultimas-8-coisas-antes-de-morrer/#comment-55</link>
		<dc:creator>Conselheiro Acácio</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Jun 2008 21:15:14 +0000</pubDate>
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		<description>Opa, valew Wallace!! 

[]'s</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Opa, valew Wallace!! </p>
<p>[]&#8217;s</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentado sobre As últimas 8 coisas antes de morrer por Wallace</title>
		<link>http://conselheiroacacio.wordpress.com/2008/04/23/as-ultimas-8-coisas-antes-de-morrer/#comment-54</link>
		<dc:creator>Wallace</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Jun 2008 19:14:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://conselheiroacacio.wordpress.com/?p=54#comment-54</guid>
		<description>kkkkkkkkkkkk
Muito bom! Isso sim marcaria a passagem de uam pessoa na Terra!!!
adorei o blog!
abraços!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>kkkkkkkkkkkk<br />
Muito bom! Isso sim marcaria a passagem de uam pessoa na Terra!!!<br />
adorei o blog!<br />
abraços!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentado sobre Figurinhas repetidas por Conselheiro</title>
		<link>http://conselheiroacacio.wordpress.com/2008/06/10/figurinhas-repetidas/#comment-52</link>
		<dc:creator>Conselheiro</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Jun 2008 22:51:54 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://conselheiroacacio.wordpress.com/?p=72#comment-52</guid>
		<description>Acho que se colocarmos mais um papagaio ou um português junto com esse holandês e esse filipino viramos uma boa piada, mas de qualquer jeito vamos lá ;)

Gostei muito do seu ponto de vista, as intenções do primeiro texto me parecem muito mais claras agora. Entretanto, continuo discordando. O que o próprio Nelson Rodrigues e alguns outros artistas da época -- como Plínio Marcos -- se limitavam a defender era simplesmente uma abordagem menos politizada, mais artística. A arte pela arte -- falando de uma forma meio pedante -- ao invés da arte pela política ou pela ideologia. No caso de Plínio suas idéias incomodavam mais a ditadura da época que as de Nelson, é um fato. Mas o talento de nenhum dos dois está nisso, está na qualidade das sua próprias obras. Se fossem a favor da ditadura ou a favor do pão com ovo, provavelmente o conjunto teria sido tão bom quanto.

Nelson, assim como outros grandes nomes da época -- por exemplo Rubem Braga -- não aceitava o empobrecimento da arte por conta de massificações ideológicas. Era "lírico" demais para aceitar isso. Se dentro dessas ideologias existiam boas idéias e boas intenções, também existiam más idéias e más intenções. Mas aí é outro assunto a ser discutido. Temos que reconhecer que hoje é bem mais fácil afirmar quais teriam sido os melhores caminhos, afinal o tempo nos concedeu uma posição privilegiada para esta observação.

Como eu disse antes, não existe arte política, panfletária, fascista ou de qualquer outro tipo. Existe arte de boa qualidade e arte de má qualidade. Maiakóvski é um bom exemplo disso! Fez diversos panfletos comunistas, e eram bonitos, líricos, poéticos! As intenções eram boas? As causas eram boas? Quem julga? O público julga. O tempo. Os nossos preconceitos e as nossas experiências e expectativas de uma forma geral. Como você mesmo mencionou, "Elia Kazan podia ser um rato de esgoto, e talvez fosse, mas deixou para o mundo obras como ‘Vidas "Amargas’ e ‘Um Bonde Chamado Desejo’". Da mesma forma Céline era a favor do nazismo, e nos deixou "Viagem ao fundo da noite" e "Morte a crédito". O mesmo ocorreu com diversos outros nomes famosos. Então te pergunto: qual a relação entre a qualidade de um bom filme ou um bom livro com os seus autores? Céline era nazista. Ele tinha suas próprias convicções para ser assim, e mesmo que isso não justifique nada, facilita a compreender sua personalidade e suas idéias. Mas que se atente a necessidade de se opor a estas convicções e idéias de uma forma racional, nunca passionalmente. Não acredito que devemos dizer que algo é mal só por que nos parece mal. E sim por que concluímos que é assim. Aí está a dificuldade das unanimidades, elas podem ser bem intencionadas, mas são inúteis se não tiverem uma base consistente e acabam viabilizando qualquer monstruosidade em nome de uma boa intenção. Tender para qualquer um dos lados, esquerda ou direita, é incompatível com à famosa "justiça nas trocas".

Por isto é importante entender Nelson Rodrigues, há quarenta anos ele viu isso tudo. E mesmo não tendo sido o primeiro ou o último, defendeu a idéia muito bem nas suas crônicas. Quando apoiava o generalíssimo Garrastazu, apoiava onde acreditava que devia ser apoiado, nunca na tortura ou na barbárie que ele mesmo condenava. É bom lembrar que na mesma época, além de Plínio Marcos o próprio filho de Nelson Rodrigues também tomavam alguns choques nos colhões. Digo isso não insistindo na defesa do Nelson ou do Padilha, mas insistindo na perspectiva do autor. Do conjunto que produziu a obra. Pois afinal de contas, acaba dando quase no mesmo se pensarmos no produto gerado por esse tal "esforço criativo" -- sendo mais pedante ainda.

Minha conclusão neste caso é esta: Nelson é necessário simplesmente por que continuamos não separando a teoria da prática. Continuamos discutindo detalhes periféricos e fugindo das questões fundamentais. Já reparou como se costuma criticar muito mais o personagem do Capitão Nascimento do que os inúmeros policiais corruptos reais que existem por aí? E mesmo quando se discute a corrupção de um policial, não fazemos uma tentativa para enxergar a nossa própria corrupção, a nossa própria parcela de culpa. Aprendemos a conviver com pequenas aberrações, evitamos vê-las diariamente. Nos irritamos quando alguém joga uma perspectiva diferente na nossa cara. É natural. Mas não creio que o caminho para resolver algum problema, especialmente um tão complexo como a violência, seja através de mais violência. Por isso acredito que esta também não foi a intenção do filme. E mesmo que fosse, seria uma posição a ser respeitada e discutida racionalmente. Se houvessem argumentos racionais e lógicos que indicassem que um estado truculento nos faria caminhar para a merecida utopia tropical com a qual todos sonhamos, a solução seria simples, a vida seria mais fácil. Mas não é. E sabemos disso. Ou deveríamos saber. Afinal de contas cada um de nós sempre interpreta uma mensagem de modo subjetivo e individual, antes de formar algum juízo sempre levamos em conta nossas próprias experiências pessoais e o contexto social em que recebemos estas mensagens. Como diz o ditado popular: A maldade esta nos olhos de quem vê ;)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que se colocarmos mais um papagaio ou um português junto com esse holandês e esse filipino viramos uma boa piada, mas de qualquer jeito vamos lá <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Gostei muito do seu ponto de vista, as intenções do primeiro texto me parecem muito mais claras agora. Entretanto, continuo discordando. O que o próprio Nelson Rodrigues e alguns outros artistas da época &#8212; como Plínio Marcos &#8212; se limitavam a defender era simplesmente uma abordagem menos politizada, mais artística. A arte pela arte &#8212; falando de uma forma meio pedante &#8212; ao invés da arte pela política ou pela ideologia. No caso de Plínio suas idéias incomodavam mais a ditadura da época que as de Nelson, é um fato. Mas o talento de nenhum dos dois está nisso, está na qualidade das sua próprias obras. Se fossem a favor da ditadura ou a favor do pão com ovo, provavelmente o conjunto teria sido tão bom quanto.</p>
<p>Nelson, assim como outros grandes nomes da época &#8212; por exemplo Rubem Braga &#8212; não aceitava o empobrecimento da arte por conta de massificações ideológicas. Era &#8220;lírico&#8221; demais para aceitar isso. Se dentro dessas ideologias existiam boas idéias e boas intenções, também existiam más idéias e más intenções. Mas aí é outro assunto a ser discutido. Temos que reconhecer que hoje é bem mais fácil afirmar quais teriam sido os melhores caminhos, afinal o tempo nos concedeu uma posição privilegiada para esta observação.</p>
<p>Como eu disse antes, não existe arte política, panfletária, fascista ou de qualquer outro tipo. Existe arte de boa qualidade e arte de má qualidade. Maiakóvski é um bom exemplo disso! Fez diversos panfletos comunistas, e eram bonitos, líricos, poéticos! As intenções eram boas? As causas eram boas? Quem julga? O público julga. O tempo. Os nossos preconceitos e as nossas experiências e expectativas de uma forma geral. Como você mesmo mencionou, &#8220;Elia Kazan podia ser um rato de esgoto, e talvez fosse, mas deixou para o mundo obras como ‘Vidas &#8220;Amargas’ e ‘Um Bonde Chamado Desejo’&#8221;. Da mesma forma Céline era a favor do nazismo, e nos deixou &#8220;Viagem ao fundo da noite&#8221; e &#8220;Morte a crédito&#8221;. O mesmo ocorreu com diversos outros nomes famosos. Então te pergunto: qual a relação entre a qualidade de um bom filme ou um bom livro com os seus autores? Céline era nazista. Ele tinha suas próprias convicções para ser assim, e mesmo que isso não justifique nada, facilita a compreender sua personalidade e suas idéias. Mas que se atente a necessidade de se opor a estas convicções e idéias de uma forma racional, nunca passionalmente. Não acredito que devemos dizer que algo é mal só por que nos parece mal. E sim por que concluímos que é assim. Aí está a dificuldade das unanimidades, elas podem ser bem intencionadas, mas são inúteis se não tiverem uma base consistente e acabam viabilizando qualquer monstruosidade em nome de uma boa intenção. Tender para qualquer um dos lados, esquerda ou direita, é incompatível com à famosa &#8220;justiça nas trocas&#8221;.</p>
<p>Por isto é importante entender Nelson Rodrigues, há quarenta anos ele viu isso tudo. E mesmo não tendo sido o primeiro ou o último, defendeu a idéia muito bem nas suas crônicas. Quando apoiava o generalíssimo Garrastazu, apoiava onde acreditava que devia ser apoiado, nunca na tortura ou na barbárie que ele mesmo condenava. É bom lembrar que na mesma época, além de Plínio Marcos o próprio filho de Nelson Rodrigues também tomavam alguns choques nos colhões. Digo isso não insistindo na defesa do Nelson ou do Padilha, mas insistindo na perspectiva do autor. Do conjunto que produziu a obra. Pois afinal de contas, acaba dando quase no mesmo se pensarmos no produto gerado por esse tal &#8220;esforço criativo&#8221; &#8212; sendo mais pedante ainda.</p>
<p>Minha conclusão neste caso é esta: Nelson é necessário simplesmente por que continuamos não separando a teoria da prática. Continuamos discutindo detalhes periféricos e fugindo das questões fundamentais. Já reparou como se costuma criticar muito mais o personagem do Capitão Nascimento do que os inúmeros policiais corruptos reais que existem por aí? E mesmo quando se discute a corrupção de um policial, não fazemos uma tentativa para enxergar a nossa própria corrupção, a nossa própria parcela de culpa. Aprendemos a conviver com pequenas aberrações, evitamos vê-las diariamente. Nos irritamos quando alguém joga uma perspectiva diferente na nossa cara. É natural. Mas não creio que o caminho para resolver algum problema, especialmente um tão complexo como a violência, seja através de mais violência. Por isso acredito que esta também não foi a intenção do filme. E mesmo que fosse, seria uma posição a ser respeitada e discutida racionalmente. Se houvessem argumentos racionais e lógicos que indicassem que um estado truculento nos faria caminhar para a merecida utopia tropical com a qual todos sonhamos, a solução seria simples, a vida seria mais fácil. Mas não é. E sabemos disso. Ou deveríamos saber. Afinal de contas cada um de nós sempre interpreta uma mensagem de modo subjetivo e individual, antes de formar algum juízo sempre levamos em conta nossas próprias experiências pessoais e o contexto social em que recebemos estas mensagens. Como diz o ditado popular: A maldade esta nos olhos de quem vê <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /></p>
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	</item>
	<item>
		<title>Comentado sobre Figurinhas repetidas por Léo Bueno</title>
		<link>http://conselheiroacacio.wordpress.com/2008/06/10/figurinhas-repetidas/#comment-51</link>
		<dc:creator>Léo Bueno</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Jun 2008 19:41:58 +0000</pubDate>
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		<description>Felipe:

São tantas as nossas diferenças de paradigmas que acho difícil debater. É como um holandês discutir com um filipino, sendo os dois monoglotas. Mas vou tentar.

Não vi quem tenha chamado José Padilha de fascista. Eu nunca faria isso. 'Tropa de Elite' é cinema mainstream e, como tal, sua autoria é coletiva. Invocar a parte pelo todo, José Padilha por 'Tropa de Elite', é um erro que muitos críticos cometem ainda hoje em dia – exceções honrosas a Sérgio Rizzo e Ignácio Araújo. Para que um diretor possa ser chamado de 'autor' do filme, ele tem de se encaixar naquela gama de pré-requisitos sugerida pelos teóricos da Cahiers du Cinema dos anos 1960. Um verdadeiro autor tem mais controle sobre sua produção do que José Padilha teve sobre 'Tropa'; e sua carreira tem de ser minimamente prolífica. Podemos comparar com o filme anterior dele, o excelente 'Ônibus 174', em que o diretor, contrariando muitos de seus produtores, reverteu a ordem cronológica do documentário e, assim, mandou uma mensagem perfeitamente humanista para os espectadores. Aquele talvez fosse um filme autoral, mas, para ser chamado de autor, Padilha ainda tem um longo caminho a percorrer. 'Fascista' é uma palavra que eu só poderia usar contra ele se o conhecesse.

O diretor não, mas o filme É fascista. Entenda: não é a pessoa, é a idéia. O que o torna fascista não é meramente a violência que ele mostra, a desigualdade que parece ser perenizada nas idéias dos personagens, o uso da justiça pelas próprias mãos, a talvez impensada metáfora dos 'camisas negras' do Bope. Se fosse por tudo isso, 'Tropa de Elite' ainda seria apenas um divertido filme de ação. O que o torna fascista é a narrativa em off, que lhe presta um teor documental. Que fala diretamente ao espectador, defendendo idéias e fazendo do filme um libelo – não do diretor, como eu disse, mas do coletivo que o produziu. Pior: é uma narrativa em off sem argumentação em contrário. É um manifesto, ainda que não tenha sido essa a intenção. Não é a denúncia da monstruosidade: é a defesa dela.

Quase sempre considero necessário separar a obra do autor. Elia Kazan podia ser um rato de esgoto, e talvez fosse, mas deixou para o mundo obras como 'Vidas Amargas' e 'Um Bonde Chamado Desejo'. Nelson Rodrigues é hoje, como você colocou, uma das unanimidades que ele mesmo dizia que era burra. Hoje em dia pega mal criticá-lo. Há quem o tenha chamado de Shakespeare brasileiro, o que é, para dizer o mínimo, um escândalo. Mas quem não gosta dele fica em silêncio, porque os outros podem lhe atribuir a pecha de burro ou de inculto. É o que a cientista política Elisabeth Noelle-Neumann chamou de Espiral do Silêncio.

Bom, de minha parte vou quebrar o silêncio. A obra de Nelson Rodrigues talvez mereça ser cantada em verso e prosa aos quatro ventos. Não gosto, mas reconheço. São as peças, algumas das crônicas, que entraram para o cânone. Mas separemos o homem da obra. Este homem, que hoje ninguém tem coragem de criticar, é o intelectual que apoiava o generalíssimo Garrastazu enquanto Plínio Marcos tomava choque nos colhões.

Se Nelson Rodrigues é atual, na minha opinião, é porque o país nunca se livrou de sua vocação autoritária. Basta ver que as idéias da ditadura continuam aí, tendo filhotes. Como pessoa, Rodrigues personificava essa idéia à perfeição. Como autor, poderia ter dado vazão a outras vozes que não a sua própria. Elas também têm sua razão de ser. Se houvesse aceitado isso, ele talvez pudesse ilustrar melhor uma sociedade que, sabe-se hoje, é pluralista mesmo quando calada. 'Tropa de Elite' também se ressente disto.

Abs

LB</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Felipe:</p>
<p>São tantas as nossas diferenças de paradigmas que acho difícil debater. É como um holandês discutir com um filipino, sendo os dois monoglotas. Mas vou tentar.</p>
<p>Não vi quem tenha chamado José Padilha de fascista. Eu nunca faria isso. &#8216;Tropa de Elite&#8217; é cinema mainstream e, como tal, sua autoria é coletiva. Invocar a parte pelo todo, José Padilha por &#8216;Tropa de Elite&#8217;, é um erro que muitos críticos cometem ainda hoje em dia – exceções honrosas a Sérgio Rizzo e Ignácio Araújo. Para que um diretor possa ser chamado de &#8216;autor&#8217; do filme, ele tem de se encaixar naquela gama de pré-requisitos sugerida pelos teóricos da Cahiers du Cinema dos anos 1960. Um verdadeiro autor tem mais controle sobre sua produção do que José Padilha teve sobre &#8216;Tropa&#8217;; e sua carreira tem de ser minimamente prolífica. Podemos comparar com o filme anterior dele, o excelente &#8216;Ônibus 174&#8242;, em que o diretor, contrariando muitos de seus produtores, reverteu a ordem cronológica do documentário e, assim, mandou uma mensagem perfeitamente humanista para os espectadores. Aquele talvez fosse um filme autoral, mas, para ser chamado de autor, Padilha ainda tem um longo caminho a percorrer. &#8216;Fascista&#8217; é uma palavra que eu só poderia usar contra ele se o conhecesse.</p>
<p>O diretor não, mas o filme É fascista. Entenda: não é a pessoa, é a idéia. O que o torna fascista não é meramente a violência que ele mostra, a desigualdade que parece ser perenizada nas idéias dos personagens, o uso da justiça pelas próprias mãos, a talvez impensada metáfora dos &#8216;camisas negras&#8217; do Bope. Se fosse por tudo isso, &#8216;Tropa de Elite&#8217; ainda seria apenas um divertido filme de ação. O que o torna fascista é a narrativa em off, que lhe presta um teor documental. Que fala diretamente ao espectador, defendendo idéias e fazendo do filme um libelo – não do diretor, como eu disse, mas do coletivo que o produziu. Pior: é uma narrativa em off sem argumentação em contrário. É um manifesto, ainda que não tenha sido essa a intenção. Não é a denúncia da monstruosidade: é a defesa dela.</p>
<p>Quase sempre considero necessário separar a obra do autor. Elia Kazan podia ser um rato de esgoto, e talvez fosse, mas deixou para o mundo obras como &#8216;Vidas Amargas&#8217; e &#8216;Um Bonde Chamado Desejo&#8217;. Nelson Rodrigues é hoje, como você colocou, uma das unanimidades que ele mesmo dizia que era burra. Hoje em dia pega mal criticá-lo. Há quem o tenha chamado de Shakespeare brasileiro, o que é, para dizer o mínimo, um escândalo. Mas quem não gosta dele fica em silêncio, porque os outros podem lhe atribuir a pecha de burro ou de inculto. É o que a cientista política Elisabeth Noelle-Neumann chamou de Espiral do Silêncio.</p>
<p>Bom, de minha parte vou quebrar o silêncio. A obra de Nelson Rodrigues talvez mereça ser cantada em verso e prosa aos quatro ventos. Não gosto, mas reconheço. São as peças, algumas das crônicas, que entraram para o cânone. Mas separemos o homem da obra. Este homem, que hoje ninguém tem coragem de criticar, é o intelectual que apoiava o generalíssimo Garrastazu enquanto Plínio Marcos tomava choque nos colhões.</p>
<p>Se Nelson Rodrigues é atual, na minha opinião, é porque o país nunca se livrou de sua vocação autoritária. Basta ver que as idéias da ditadura continuam aí, tendo filhotes. Como pessoa, Rodrigues personificava essa idéia à perfeição. Como autor, poderia ter dado vazão a outras vozes que não a sua própria. Elas também têm sua razão de ser. Se houvesse aceitado isso, ele talvez pudesse ilustrar melhor uma sociedade que, sabe-se hoje, é pluralista mesmo quando calada. &#8216;Tropa de Elite&#8217; também se ressente disto.</p>
<p>Abs</p>
<p>LB</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentado sobre As últimas 8 coisas antes de morrer por Nat</title>
		<link>http://conselheiroacacio.wordpress.com/2008/04/23/as-ultimas-8-coisas-antes-de-morrer/#comment-39</link>
		<dc:creator>Nat</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Apr 2008 23:23:18 +0000</pubDate>
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		<description>Caralho, amei todos!!!! Menos a parte do harén, que eu ia querer um masculino, mas tudo bem...
Viajar pela América Latina certamente é um desejo meu tb, sou louca pra conhecer a Patagônia Chilena. Mas no meu caso, eu gostaria de viajar o mundo inteiro, começando pela Europa,  comer minhoca na Índia, cachorro na Ásia. Caraca, muita coisa.
E, pra finalizar, mandou muito, mas muito bem com o Mun-Há! Caralho, ri muito hehehehehe</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caralho, amei todos!!!! Menos a parte do harén, que eu ia querer um masculino, mas tudo bem&#8230;<br />
Viajar pela América Latina certamente é um desejo meu tb, sou louca pra conhecer a Patagônia Chilena. Mas no meu caso, eu gostaria de viajar o mundo inteiro, começando pela Europa,  comer minhoca na Índia, cachorro na Ásia. Caraca, muita coisa.<br />
E, pra finalizar, mandou muito, mas muito bem com o Mun-Há! Caralho, ri muito hehehehehe</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentado sobre Duvide de tudo por Nat</title>
		<link>http://conselheiroacacio.wordpress.com/2008/04/21/duvide-de-tudo/#comment-38</link>
		<dc:creator>Nat</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Apr 2008 03:29:23 +0000</pubDate>
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		<description>Felipão, &lt;a href="http://by-nat.blogspot.com/2008/04/oito-coisas.html" rel="nofollow"&gt;desafio pra você.&lt;/a&gt;</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Felipão, <a href="http://by-nat.blogspot.com/2008/04/oito-coisas.html" rel="nofollow">desafio pra você.</a></p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentado sobre Redescobrindo o WordPress por Nat</title>
		<link>http://conselheiroacacio.wordpress.com/2008/02/09/redescobrindo-o-wordpress/#comment-26</link>
		<dc:creator>Nat</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Feb 2008 19:54:14 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://conselheiroacacio.wordpress.com/?p=29#comment-26</guid>
		<description>Ô bonitão, tu tá sumido demais. Tô ficando preocupada ;- ) Dá um sinal de vida aí, pô!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ô bonitão, tu tá sumido demais. Tô ficando preocupada ;- ) Dá um sinal de vida aí, pô!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
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