O bom e velho idiota latino-americano
Andando aleatoriamente pela internet hoje acabei me deparando com um texto interessante do Emir Sader publicado na Carta Maior, em abril deste ano. Mesmo discordando totalmente achei o texto bem interessante, principalmente pela capacidade da coluna ilustrar perfeitamente aquela velha tese do idiota latino-americano. Neste ponto o texto do Emir é cristalino. Fiz um comentário no blog dele, mas não me publicaram — não sei se pelo tempo, já que o texto é de abril, ou pelo conteúdo do meu comentário que é bem diferente do pessoal que acompanha a coluna dele –, decidi portanto escrever a resposta por aqui mesmo, e começo repetindo um conceito básico de economia:
“Para se erguer uma nação da mais primitiva barbárie até o mais alto grau de opulência é necessário somente paz, baixos impostos, e boa administração da justiça. Todo o resto corre pelo curso natural das coisas”
A frase acima é de Adam Smith. Sinceramente não entendo como ainda hoje esse conceito pode ser contrariado. O texto do Emir Sader é muito bem detalhado, muito bem escrito. Mas as opiniões são bem generalistas e superficiais, passando longe dos detalhes onde os problemas reais podem estar. Mas venhamos e convenhamos, caracterizar um grupo de opinião contrária como um grupo maléfico é bem manjado. E essa boa e velha história da carochinha do bem contra o mal já deu o que tinha que dar.
Algumas perguntas fundamentais para entender o porque algumas pessoas acham errado que o estado intervenha demais no nosso dia são bem óbvias, apesar de algumas pessoas simplesmente se recusarem a respondê-las. Sendo assim, pergunto a vocês: O estado tem competência de gerenciar a maquina pública com eficiência? O estado tem realmente que ser intervencionista para garantir o bem comum? Será que a população é tão incompetente ao ponto de não conseguir se virar sem que as mãos do estado as carreguem o tempo todo?
Se o estado nos fornecer paz, baixos impostos, e uma boa administração da justiça, a própria população irá inovar e trabalhar em conjunto para uma nação mais evoluída. Não entendo como isso pode ser mal. E quem diz isso não sou eu! Não é a direita! Não é o imperialismo, ou qualquer outro bicho papão do tipo! Este é um conceito básico e irrefutável de economia básica. Provado e comprovado em todo o resto do mundo. Se o Emir Sader ou qualquer outro sujeito conseguir desmentir essa teoria, por favor, não publique as conclusões em um jornal. Divulgue uma tese ou um livro detalhando o método, pois a novidade irá colocara abaixo séculos de conceitos econômicos — além de vender igual biscoito!. Mas se não for o caso, melhor seria que estas opiniões ficassem para eles mesmos.
Se ao invés de continuarmos colocando a culpa no capital estrangeiro ou no imperialismo americano, nós como uma nação supostamente evoluída, assumíssemos nossas falhas e trabalhássemos para melhorar e inovar dentro das nossas dificuldades e limitações, provavelmente — assim como Adam Smith nos recomendou uns 150 anos atrás — teríamos como nos erguer da barbárie sem depender eternamente do soldo de programas como o bolsa família. Já de início, faço questão de esclarecer: não sou contra o bolsa família, acho que antes de qualquer coisa a população mais pobre precisa comer. Não se inova ou modifica nada com a barriga vazia. No entanto, o governo tem de oferecer uma saída destes programas, ou então as populações mais pobres irão depender eternamente do governo para comer. Que o governo dê a vara e ensine a população a pescar é uma coisa. Isso é necessário para o desenvolvimento. Mas ficar dando peixe o resto da vida é burrice, e principalmente no longo prazo, acaba sendo prejudicial para quem recebe o peixe.

